Confira lista de selecionados para mostras competitivas

Publicado em: 21/04/2019 Autor: Dominik Assunto: Amazônia DOC Tempo de leitura: 5 minutos


Após a análise dos 350 filmes inscritos, a comissão de curadores finalizou a escolha dos documentários que vão integrar o Amazônia DOC – Festival Pan-Amazônico de Cinema 2019, nas mostras competitivas “Pan-Amazônia” e “Amazônia Legal”, com realizadores do Brasil, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia. O festival, que ocorrerá de 30 de maio a 7 de junho, em Belém, é uma realização da Secretaria do Audiovisual e Secretaria Especial da Cultura, do Ministério da Cidadania, com produção da Z Filmes e Instituto de Cultura da Amazônia (Culta), com co-realização da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult-PA), patrocínio da SOL, co-patrocínio da Fundação Cultural do Pará (FCP), Sesc, Belém Soft Hotel e San Tito, e apoio cultural da Inovador Talvez Filmes e da Conne – Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte, Nordeste.

A comissão foi formada por Manoel Leite, Zienhe Castro, Felipe Pamplona, Marco Antônio Moreira e Carol Abreu. De acordo com o produtor executivo e curador do festival, Manoel Leite, os critérios de escolha foram baseados na qualidade técnica, relevância no tema, contribuição para a representatividade da produção da e sobre a Amazônia e inovação/originalidade na linguagem. “Mas é bom lembrar que isso são norteamentos, não imposições. Há sempre espaço para o reconhecimento da subjetividade, por isso durante esse processo de seleção foram muito importantes as reuniões entre os curadores, os debates, as trocas de opiniões. Recebemos filmes de norte a sul do país e de quase todos os países da Pan-Amazônia”, explica o curador.

Da análise das temáticas, Felipe Pamplona, presidente do comitê de seleção/curadoria, destaca três perspectivas: documentários que estão ligados a territórios, e que abordam lutas, reconhecimento e pertencimento a um lugar; sobre as questões do corpo, como elemento político e estético; e um outro relacionada à própria imagem, com a experimentação a linguagem cinematográfica, sua plasticidade imagética, sonora. “O processo de seleção é difícil, pois é o momento de identificar forças e fraquezas. O documentário brasileiro tem marcas do que tem acontecido na vida política do brasil dos últimos 10 anos, como uma forma de contar a história a partir de outras metodologias e outro entendimento. Os filmes que selecionamos pontuam isso, com o poder do audiovisual de repensar a história e de formular novas narrativas”, comenta Felipe Pamplona.

Desafios

Para a edição 2019, a comissão de curadores destaca as mudanças na realidade nacional do audiovisual, que mudou em muitos aspectos desde a última edição do evento, em 2012, com novas metodologias e tecnologias, mas mantém a urgência maior nas discussões contemporâneas, “uma postura mais de impacto social nas mensagens, o que é mister lembrar que esse ativismo sempre fez parte do DNA do cinema documentário. Daí a extrema atualidade de documentários exibidos nas edições anteriores do Amazônia DOC (2009 a 2012), o que sublinha a importância do acervo do festival, sua insistente pertinência e atualidade”, defende Manoel.

Ele comenta ainda que enquanto produtores audiovisuais, também os realizadores de outros países enfrentam as mesmas dificuldades e que é notório o quanto a realidade local amazônica, no quesito produção, é semelhante às dos países da região Pan-Amazônica. “Eles vivem o mesmo esforço que nós quanto ao seu desenvolvimento e posicionamento no mercado audiovisual. Grosso modo, a produção da região Pan-Amazônica está para a produção do Cone Sul como a nossa paraense está para a dos grandes centros do Brasil. É uma realidade muito próxima, mais um motivo para uma interlocução entre nós amazônidas”, analisa.

Uma tarefa que ainda não plenamente realizada pelo Amazônia DOC é o de exibir filmes das chamadas Guianas: República da Guiana, Suriname e Guiana Francesa. “Desses países, apenas a Guiana Francesa (que não é propriamente um país soberano) mantém algum contato conosco. Há um insistente e frustrante isolamento desses países que ainda não conseguimos quebrar, mas não desistiremos! Um dia teremos filmes deles no Amazônia DOC”, finaliza Manoel Leite.

Formatos

Felipe Pamplona observa que, após 10 anos da primeira edição do Amazônia DOC, do ponto de vista técnico e estético, alguns detalhes fazem a diferença, como a importância dos processos de pós-produção e de formatos mais livres. “Filmes que não têm elementos de pós-produção, como videografismo, correção de cor, lettering, demonstram que não têm apuro”, diz. “E há também uma liberdade estética, com o pensamento do YouTube, do dispositivo móvel, do cinema vertical, da imagem mais vulgar e consumida de forma imediata sem pensamento e sem preocupação de produção, feita para consumir e ser descartada”, analisa.

Programação

A programação do festival está em fase de finalização de parcerias e além das mostras competitivas terá também bate-papos e oficinas, e uma Mostra Retrospectiva Amazônia DOC reunindo produções das quatro edições anteriores, e um Seminário de Crítica, que vai ocorrer de 23 a 29 de maio. A grande novidade é a homenagem para a professora e pesquisadora Luzia Miranda Alvarez, pela sua inestimável colaboração ao cinema paraense. A exibição da Mostra Competitiva ocorrerá no Cine Líbero Luxardo, da Fundação Cultural do Pará (FCP), e já estão confirmadas a vinda da diretora Susanna Lira, vencedora do prêmio de “melhor documentário” no Festival do Rio em 2018 com o longa “Torre das Donzelas” – nome de uma penitenciária feminina. Foram entrevistadas mulheres que lá ficaram presas, entre elas a ex-presidente Dilma Roussef, no período da ditadura militar. llda Santiago, diretora do Festival do Rio, também é nome confirmado e atua como presidente do Júri Oficial desta quinta edição do evento, que será composto por mulheres, críticas, cineastas e produtoras. Em breve serão divulgados todos os nomes do Júri Oficial.

CONFIRA A LISTA DE SELECIONADOS

Longas Metragens

  • Huahua |Equador | 70 min | Direção: Jose Espinosa Anguaya
  • Não sei qual cidade se passa aos olhos dele | Brasil | 74 min | Direção: Thaís Inácio e João Mendonça
  • Rosa Venus | Brasil | 75 min | Direção: Marcela Morê
  • Lar | Brasil | 70 min | Direção: Lara Dutra
  • Relatos do front | Brasil | 95 min | Direção: Renato Martins
  • Fios de alta tensão | Brasil | 78 min | Direção: Sergio Gag
  • Mamirauá | Brasil | 90 min | Direção: Silvio Da-Rin
  • Sotaque do Olhar | Brasil | 74 min | Direção Mykaela Plotkin
  • Idade da água | Brasil | 82 min | Direção: Orlando Senna
  • Fio da Meada | Brasil | 80 min | Direção: Silvio Tendler

Médias e Curtas Metragens

  • En el murmullo del viento | Bolívia | 61 min | Direção: Nina Wara Carrasco
  • Amahuaca siempre | Peru | 64 min | Direção: Fernendo Valdivia
  • Saakhelu Kiwe Kame | Colômbia | 25 min | Direção: Mateo Leguizamón Russi
  • Vidas cinzas | Brasil | 15 min | Direção: Leonardo Martinelli
  • Lembra | Brasil | 10 min | Direção: Leonardo Martinelli
  • Beat é protesto! O funk pela ótica feminina | Brasil | 23 min | Direção: Mayara Efe
  • Terra fértil em maré cheia | Brasil | 23 min | Direção: Karen Furbino
  • Bellatrix | Brasil | 53 min | Direção: Lucas Costanzi
  • O malabarista | Brasil | 11 min | Direção: Iuri Moreno
  • Hoje teci imagens que me habitam há muito tempo | Brasil | 16 min | Direção: Nilo Rivas
  • Negrum3 | Brasil | 23 min | Direção: Diego Paulino
  • Léguas a nos separar | Pará | 24 min | Direção: Vitor Souza Lima
  • Chamando os ventos: Por uma cartografia dos assobios | Pará | 14 min | Direção: Marcelo Rodrigues
  • Camarada Alfredo | Pará | 22 min | Direção: Marco André
  • Marajó das Letras – Os abridores de letras da Amazônia marajoara | Pará | 30 min | Direção: Fernanda Martins e Marcelo Rodrigues
  • Majur | Mato Grosso | 20 min | Direção: Rafael Irineu
  • Noite suja | Pará | 37 min | Direção: Allyster Fagundes
  • Bimi Shu Ykaya | Acre | 52 min | Direção: Yube Huni Kuin, Siã Huni Kuin e Isaka Huni Kuin
  • Empate | Acre | 90 min | Direção: Sérgio de Carvalho
  • Amazônia Ocupada | Pará | 70 min | Direção: Priscilla Brasil